Agricultura urbana é tema de workshop no IAC

Postado em: 10/05/2019 ás 15:48 | Por: Paloma Minke

Cerca de 100 empresas, institutos e universidades debatem o sistema de produção agrícola que já é realidade no exterior

Cerca de 100 empresas, institutos e universidades debatem o sistema de produção agrícola que já é realidade no exterior

A agricultura urbana vem ganhando mercado em países da Europa, Oriente Médio, Ásia e Estados Unidos. No Brasil, esse tema ainda é incipiente. Para falar sobre a dinâmica da produção agrícola em grandes centros urbanos e em ambientes internos, chamado in door, o Instituto Agronômico (IAC) realiza nesta quinta-feira, 9 de maio de 2019, o I Workshop Urban Farming. Cerca de cem empresas estão envolvidas no evento, em que são proferidas palestras sobre a produção de alimentos e de plantas usadas em fármacos e cosméticos nesse sistema considerado poupador de recursos, sobretudo de água, gerador de alto valor agregado aos produtos e propagador da diversidade.

O evento, que reúne palestras sobre a produção urbana com qualidade atrelada a práticas sustentáveis e à logística de distribuição é uma realização do IAC, Agropolo Campinas-Brasil, Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e Pós-Graduação-IAC.

A secretária executiva da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gabriela Chiste, compareceu ao evento e elogiou a iniciativa. “A ação é moderna e inovadora, como a Secretaria atual. Esse assunto é provocador e essa discussão proposta neste evento é importantíssima; o Brasil não deveria estar atrasado nesse assunto”, disse a secretária.

O pesquisador e representante da diretoria-geral do IAC, Márcio Chiba, comentou que esse assunto demorou a chegar ao Brasil, considerando que em outros países já existe a produção agrícola in door. “Em países europeus existe por conta de restrições de espaço ou de clima, aqui será uma opção para solucionar questões de pontos de distribuição, por exemplo, para superar as longas distâncias existentes na Capital paulista”, disse.

O pesquisador do IAC e organizador do workshop, Luís Felipe Vilani Purquerio, disse que o objetivo do evento é responder a várias perguntas relacionadas a essa modalidade de produção. Ele comentou que, em 2018, o IAC recebeu inúmeras consultas de startups e produtores sobre agricultura urbana e então viu a necessidade da realização desse workshop.

De acordo com Purquerio, a urban farming é uma oportunidade de negócios, pesquisa e desenvolvimento. “Ainda não há respostas no Brasil para esse segmento, mas estamos aqui reunidos com cerca de cem empresas, universidades e institutos de pesquisas, todos interessados em elaborar respostas e tecnologias que possam auxiliar no aproveitamento dessa opção, afirmou.

Em sua apresentação, Purquerio mostrou o sistema com produção em aparelhos domésticos, a produção dentro de supermercados, o jardim aeropônico existente em aeroporto em Chicago, no Estados Unidos, e o Instituto de Vertical Farming, fundado na Áustria, em 2018. “As torres hidropônicas e aeropônicas ainda podem servir de estudos em escolas, onde as crianças podem acompanhar o desenvolvimento das plantas e levá-las para casa, incentivando a alimentação mais saudável”, comentou.

            As palestras abordam desde questões técnicas como desenvolvimento de sistemas de produção, de cultivares e aparelhos, como temas ligados à redução de uso de água, novos modelos de negócios, gastronomia e outros. Em sua apresentação, Purquerio abordou o potencial e desafios da agricultura urbana.

            O pesquisador citou as mudanças no estilo de vida dos consumidores, desde a forma de se comunicar e de se alimentar, e as estimativas de aumento populacional. “No Brasil, 14% da população são vegetarianos e 55% em pesquisa recente afirmaram que consumiriam mais alimentos veganos. Isso é um grande nicho de mercado a ser explorado”, disse.

Com essas mudanças, as pessoas buscam por alimentos prontos, mas com qualidade nutricional. Isso envolve desde a produção, até armazenamento, embalagem e transporte para que o alimento chegue fresco aos consumidores. “Em 2030, uma em cada cinco pessoas terá mais de 65 anos, situação que abre espaço para alimentos biofortificados”, afirmou.

            Durante sua apresentação, Purquerio abordou os desafios de locomoção na cidade de São Paulo. Para ele, a agricultura urbana pode ser uma forma de produção que também reduzirá os custos financeiros e ambientais com o transporte. “Com menores distâncias percorridas, há redução de perdas e facilitação do acesso a alimentos mais frescos, além de gerar aproximação entre o produtor e o consumidor”, avaliou.

Do ponto de vista de negócio, a gastronomia foi abordada pela chef de cozinha Danielle Massa. Ela desenvolve trabalhos de pesquisa com culturas de batatas coloridas e cogumelos, em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e com a Associação Nacional de Produtores de Cogumelos. A chef é responsável pelas cozinhas de apoio do evento Mesa São Paulo, promovido pela revista Prazeres da Mesa, em 2017 e 2018, e trabalha em empresa que fornece alimentos para salas vips de aeroportos.

Danielle comentou sobre desperdício, logística, qualidade do produto e custos. “Muitas vezes o produto já chega com a qualidade comprometida no entreposto. Como chef, às vezes consigo comprar direto com o produtor, mas não tem como não mencionar esse fato e o desperdício existente ainda no entreposto”, afirmou.

A chef e nutricionista falou ao público sobre a dificuldade de encontrar bons produtos agrícolas na grande São Paulo. “Às vezes não consigo comprar um produto bom que preciso para usar em nossas refeições, pois preciso de alimentos com frescor e sabor, além de qualidade visual e textura”, relatou. Sem os produtos à mão, ela conta que precisa diminuir a variedade dos pratos e isso aumenta o custo de produção. “É muito dispendioso para a gastronomia e não é diferente para as famílias”.

Ela afirmou que a gastronomia precisa do agricultor e é necessária a aproximação entre as duas categorias para resolver algumas questões. “Como o chef está nos grandes centros, precisamos estreitar esse caminho e a urban farming é a cidade produzindo, por isso esse tema é muito pertinente para nós”.

Homenagem

O pesquisador aposentado do IAC, Pedro Roberto Furlani, foi homenageado no evento por toda sua contribuição à introdução da hidroponia no Brasil. Agradecido pelo reconhecimento, ele comentou sobre as dificuldades encontradas quando iniciou seus trabalhos no IAC nesse método de cultivo. Furlani, considerado o “pai da hidroponia” no país, lembrou que muitas barreiras foram derrubadas, até conquistar o setor e auxiliar os hidroponicultores. “Hoje a hidroponia está em quase todas as cidades brasileiras; desejo que o movimento da urban farming seja assim”.

As principais linhas de atuação do pesquisador são em nutrição e adubação de culturas, cultivo de plantas em soluções nutritivas (hidroponia), seleção e melhoramento de plantas para estresse nutricional, análise química e interpretação de resultados para solo, solução nutritiva, planta e substrato. Furlani ingressou em 1970 no Instituto Agronômico, como engenheiro agrônomo, na antiga Seção de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas. Foi professor colaborador do Curso de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do IAC e do Curso de Fisiologia Vegetal do Instituto de Biologia, da Universidade Estadual de Campinas.

Ao longo da sua carreira, publicou mais de 60 artigos em periódicos especializados, 3 livros, 12 capítulos de livros e vários boletins técnicos. A Solução Nutritiva para o Cultivo Hidropônico de Alface, publicada nos Boletins Técnicos IAC 168 e IAC 180, em 1997 e 1998, respectivamente, é a mais utilizada até hoje. Em 2003, aposentou-se e em 2004 fundou, juntamente com os engenheiros agrônomos Camilo Medina e Ondino Cleante Bataglia, a Empresa Conplant - Consultoria, Treinamento, Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola, onde desenvolve suas atividades atualmente.

Furlani graduou-se em engenharia agronômica pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, em 1969. De 1977 a 1981 cursou o mestrado e o doutorado em Agronomia, na Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos.

Por Carla Gomes (MTb 28156) e Mônica Galdino – Assessoria de imprensa IAC

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