Extensionista Rural: agente de transformação social, econômica e ambiental

Postado em: 04/12/2020 ás 17:53 | Por: felipe.maia

Extensionista orienta produtor rural (Foto tirada antes da pandemia de Covid-19)

Celebrado em todo o Brasil, o Dia do Extensionista Rural é comemorado em 6 de dezembro, tendo como marco a criação da primeira instituição de extensão rural do País, em 1948

“Ser extensionista é vestir a camisa do produtor, compartilhar e ter empatia com as dificuldades por ele enfrentadas na labuta diária do campo. É aprender com ele e não só ensinar. É ter sensibilidade para transferir conhecimentos sofisticados e torná-los rotineiros, bem como traduzir soluções complexas de problemas em execuções simples. Ser extensionista é deixar de lado muitas vezes a Veterinária, a Agronomia, a Zootecnia etc. e ser administrador de empresas, psicólogo, assistente social, professor; sabendo ouvir e aconselhar. É deixar muitas vezes de ser técnico para ser amigo. E ir além, pois a extensão rural é um serviço para quem ama o próximo e quer vê-lo crescer, melhorar e se desenvolver em harmonia com o ambiente em que está inserido. Enfim, é ser parceiro dos homens e mulheres do campo!”.

Com essa declaração, Ricardo dos Santos da Silva, médico veterinário e extensionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que atua, desde 2008, na Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS – órgão responsável pela extensão rural e assistência técnica em São Paulo) – Regional Catanduva, ecoa o que os cerca de 600 extensionistas da Pasta consolidam em ações diárias junto a aproximadamente 260 mil Unidades de Produção Agropecuárias (UPAs) paulistas de pequeno e médio portes.

Mas muitos podem estar se perguntando: extensionista rural, quem é esse profissional? Para responder essa pergunta é preciso conceituar a atividade que, segundo a legislação federal, é um “serviço de educação não formal, de caráter continuado, no meio rural, que promove processos de gestão, produção, beneficiamento e comercialização das atividades e dos serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive das atividades agroextrativistas, florestais e artesanais”.

Ou seja, extensionismo não é uma profissão, mas um serviço que agrega profissionais de diversas áreas, como engenheiros agrônomos e agrícolas, médicos veterinários, zootecnistas, entre outros, para atuar junto aos produtores - principalmente os pequenos, os pescadores artesanais e os de comunidades tradicionais - na promoção do desenvolvimento rural sustentável. Dados da Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) indicam que o Brasil tem mais de 15 mil extensionistas, atendendo mais de dois milhões de famílias rurais.

Para José Luiz Fontes, coordenador da CDRS, o serviço tem em seu bojo a premissa de agente de transformação. “Como extensionistas, atuamos em prol da sustentabilidade da produção e da qualidade de vida no meio rural, investindo na difusão de conhecimentos e tecnologias aliada à execução de políticas públicas e projetos que gerem uma transformação na vida dos produtores e de suas famílias. Nas últimas décadas, vivemos uma fase de transição de um modelo que privilegiava a assistência técnica para aumento de produtividade, para ações mais amplas de extensão rural”.

Fontes avalia que o profissional de extensão também passou por mudanças que pediram novas habilidades e metodologias de intervenção, necessidade de ações interinstitucionais, integração em redes sociotécnicas, abordagens transdisciplinares, novo enfoque de comunicação, criatividade, gestão, inserção no mercado, entre outras. “No âmbito da Secretaria de Agricultura de São Paulo temos agregado ferramentas que permitem aos extensionistas estarem em sintonia com essas transformações, podendo atender às demandas dos produtores e do agro que está em constante mudança”, diz o coordenador, lembrando da importância da equipe administrativa para o sucesso do trabalho extensionista no campo.

Ele comenta, ainda, que esse contexto promoveu um resgate do verdadeiro papel do extensionista que, muito mais que difusor de tecnologia, é um articulador de mudanças na comunidade rural que refletem no meio urbano. “Diante dessa nova realidade, o profissional de extensão rural conseguiu estabelecer uma relação confiável e criativa com os produtores, visando ajudá-los a alcançar um melhor nível econômico e social, com mais qualidade de vida. Como resultado desse trabalho, em São Paulo pode-se dizer que hoje há mais sustentabilidade, inclusão social, agregação de valor, cidadania, gestão, emprego, renda, qualidade de vida, segurança alimentar, Boas Práticas Agropecuárias e inserção da produção familiar no mercado, bem como conservação do solo e dos recursos naturais no campo”, diz o Fontes.

Durante este período de pandemia, a extensão rural se reinventou ainda mais. “Nos adequamos neste período de necessidade de distanciamento social, para atuar de forma mais intensa pelos canais digitais, mantendo grupos de WhatsApp e contato telefônico, para atender às demandas dos produtores e prover prestação de serviços, até que as atividades presenciais possam ser retomadas”, afirmou o coordenador.

Extensão rural em São Paulo

Em São Paulo, os extensionistas da CDRS realizam ações, projetos e programas que fortalecem a organização rural em associações e cooperativas. Executam políticas públicas e de crédito rural. Incentivam a produção em harmonia com o meio ambiente com projetos e ações voltados à regularização ambiental das propriedades rurais e à conservação do solo, com controle de grandes erosões e preservação de nascentes. Adaptam as pesquisas e as consolidam na prática, aliando-as à tradição dos produtores rurais e transformando-as em produtividade e competitividade nas mais diversas cadeias.  Produzem e comercializam sementes variedades e mudas com garantia de qualidade e preço acessível, para atender principalmente os pequenos produtores.  Atuam de forma integrada com a Defesa Agropecuária, com uma medicina veterinária preventiva e atenção à fitossanidade, apoiando ações que garantem a sanidade e segurança alimentar. Tudo isso em sintonia com as transformações do agro mundial e as demandas da sociedade, alicerçados na revolução digital!

 

Depoimentos

“Como extensionista, com mais de 30 anos de carreira, fico feliz em representá-los neste ano de 2020, período atípico no qual tivemos que nos reinventar para não deixar de atender os produtores rurais. Nunca tive dúvidas sobre a minha vocação para a extensão rural, tanto que fiz estágio na CATI (atual CDRS) e na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural ‒ Emater (MG). Entendo que a extensão não é só transferir tecnologia ou passar conhecimento, é um processo de educação. Compartilhamos o conhecimento com os produtores e aprendemos com eles, com as questões práticas. Essa é a grande verdade da extensão rural”, José Augusto Maiorano, extensionista da Divisão de Extensão Rural (Dextru/ CDRS), que foi aclamado pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (Aeasp), como Engenheiro Agrônomo do Ano de 2020, na categoria Extensão Rural.

“Ao longo de 48 anos de trabalho como extensionista foram muitas as passagens marcantes; uma que me emocionou, em particular, foi a história de um jovem que participou de um curso de tratorista no final dos anos de 1970 e que se mudou para o Paraná. Com dificuldades para arrumar serviço, pois não possuía uma ‘carta de apresentação’, lembrou que em sua mala tinha o certificado do curso promovido pela Secretaria. Mostrou ao fazendeiro, que o contratou dizendo que ‘esse papel’ valia mais que a tal carta de apresentação. Ele me escreveu agradecendo bastante. Esse pequeno fato, junto com tantas outras histórias de mudança de vida de produtores, das quais tive a honra de participar, me mostrou a importância do nosso trabalho”, Antônio Segundo Quito, extensionista que ingressou na Secretaria em 1972 e, em 1974, na Casa da Agricultura de Lupércio – ligada à CDRS Regional Marília, unidade em que trabalha até hoje, aos 72 anos.

“A extensão rural me permitiu unir dois aspectos fundamentais para que eu me realizasse profissionalmente: o trabalho como zootecnista e o de apoio às organizações dos agricultores familiares, pescadores artesanais e indígenas. Como extensionista, tive a oportunidade de fazer doutorado na França, para aprofundar o conhecimento sobre os motivos que determinam o sucesso ou o insucesso de projetos. Passei a compreender ainda mais o importante papel do extensionista como articulador de diferentes atores sociais, para construir as redes sociotécnicas que viabilizam os projetos municipais e regionais de desenvolvimento socioeconômico. Hoje (1/12), próximo ao Dia do Extensionista Rural, recebi a dissertação de mestrado de um indigenista da Fundação Nacional do Índio (Funai), com um agradecimento à minha atuação profissional: “por ser sensível à questão indígena e um organizador de ideias, pessoas e ações que sempre me motivaram, principalmente em momentos difíceis”. Pensei emocionado: “O meu sonho de juventude se realizou! As palavras desse novo mestre me fizeram sentir que sou de fato um extensionista”, Newton Rodrigues, extensionista da Casa da Agricultura de Santos, ligada à CDRS Regional São Paulo.

“Ser extensionista é desenvolver um trabalho que vai muito além da mera orientação técnica agronômica. Ser extensionista é acreditar no potencial do produtor rural e abertura para ter amizade com a sua família, participar do seu convívio, dividir problemas, angústias e sucessos. É saber enxergar suas necessidades veladas e falar o que precisa ser ouvido na hora certa. Ser extensionista é nunca esquecer que, por trás do custo de produção, das planilhas, das tecnologias tradicionais ou de ponta, existem pessoas que merecem ser acolhidas com toda a sua história de vida e sabedoria rural”, Alexandra Luppi, extensionista da CDRS Regional Mogi Mirim.

Exemplos do trabalho extensionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Você sabia que...

...a extensão rural paulista foi pioneira na difusão de novas tecnologias e conhecimento por meio dos Dias de Campo?

...a extensão rural paulista foi pioneira no Brasil na comunicação rural, com programas de TV e Rádio para transmissão de conhecimento?

...o trabalho extensionista contribuiu para alçar o Estado de São Paulo à liderança nacional na produção, comercialização e exportação dos mais diversos produtos, enfrentando os desafios da produção, por meio de ações integradas com a pesquisa, projetos, programas e desenvolvimento de metodologias voltadas às mais diversas cadeias produtivas, como cafeicultura, olericultura, fruticultura, aquicultura, heveicultura, bovinoculturas de leite e corte?

... o trabalho da extensão rural na execução do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas se tornou um marco, enfocando a produção em harmonia com o meio ambiente, difundindo práticas conservacionistas integradas e estabelecendo novas técnica de estradas rurais? E que o Estado de São Paulo passou de 35 mil hectares para mais de um milhão de hectares cultivados pelo Sistema de Plantio Direto na Palha, entre 2000 e 2008, o qual proporciona conservação do solo e da água?

...por meio do trabalho de extensionistas em parceria com prefeituras e entidades de produtores rurais, foram criados, em algumas cidades, projetos de Patrulha Rural na área de segurança pública?

...por meio da execução de projetos e ações técnicas, extensionistas promoveram a conscientização de milhares de alunos de escolas públicas no Estado, sobre a importância da produção agropecuária e conservação do meio ambiente?

... a execução do Projeto Microbacias II pelos extensionistas, contribuiu com a criação e/ou fortalecimento de cerca de 300 associações e cooperativas de produtores rurais e de comunidades tradicionais (indígenas e quilombolas); promoveu a inserção no mercado de produtos de pequenos e médios produtores com a viabilização de empreendimentos coletivos ligados à agregação de valor à matéria-prima (agroindustrialização, processamento, armazenamento, transporte); gerou renda, emprego e melhor qualidade de vida para mais de 20 mil famílias rurais, contribuindo para a segurança alimentar e fortalecendo para as economias locais e regionais?

... extensionistas fizeram descobertas ou desenvolveram técnicas que estão contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável? Walkmar B.S. Pinto, da Casa da Agricultura de Bebedouro, foi o primeiro a usar, no Brasil e no mundo, o Bacillus thurgiensis no controle das pragas dos citros, bicho-furão e bicho-cigarreiro.

Ricardo Manfredini, da Casa da Agricultura de Tremembé, desenvolveu um método simples e eficaz para minimizar o efeito da erosão em áreas de pastagens, denominada Plantio de Pastagem sem Preparo de Solo, que tem mudado a situação de conservação do solo em áreas de produção de leite, em São Paulo e outros estados

Frutas como a atemoia e a acerola só têm escala comercial pelo trabalho extensionista;

A variedade feijão carioca, a mais consumida no Brasil, foi fruto da descoberta do extensionista Waldimir Coronado, da Casa da Agricultura de Ibirarema, em 1963; ele fez a multiplicação, distribuiu para produtores plantarem, depois enviou para análise do Instituto Agronômico (IAC) que fez pesquisas, multiplicou o material que é até hoje objeto de melhoramento genético.

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